Alteração hormonal na mulher a partir dos 40 anos

A vida começa aos quarenta, você já deve ter ouvido esta frase antes, e hoje com o avanço da medicina e a conquista da longevidade é uma realidade. Diferente de tempos atrás, as mulheres modernas apresentam nesta idade o auge do seu esplendor e estão cada vez mais bonitas, charmosas e inteligentes. É que nesta idade, elas alcançaram a maturidade profissional, psicológica, já criaram seus filhos e muitas vezes estão à procura de um novo relacionamento.

É a partir dos quarenta anos que começamos a apresentar alterações nos níveis dos nossos hormônios sexuais, e antigamente isto significaria que estávamos chegando ao fim de nossa jornada e só restava envelhecer e ficar reclusas dentro de casa. Mas a revolução feminina chegou, lutamos por nossos direitos e não aceitamos mais esta sina, e assim....

Entender o que ocorre neste processo faz a diferença para que você decida como quer passar por esta fase; então vamos lá:

O declínio hormonal começa na maioria das mulheres a partir dos quarenta anos, período denominado de Perimenopausa e antes ligado apenas a diminuição de estrógeno, mas pesquisas foram feitas neste ramo e muito foi se descobrindo.

Descobrimos por exemplo que os hormônios trabalham em sintonia como numa orquestra e que um pode desequilibrar o outro, descobrimos também que não é só o estrógeno o grande culpado pelos tão mal falados sintomas da menopausa e sim um conjunto de declínio de vários hormônios juntos, e ainda que a grande maioria das mulheres precisam de correção hormonal, mas não todas, e a cada dia que passa mais aprendemos sobre o assunto.
Então vou tentar clarear um pouco este processo:

Os hormônios sexuais são derivados do colesterol que pelo processo de metabolização acaba formando pregnonelona. A pregnonelona é como podemos dizer a mãe dos hormônios sexuais produzindo DHEA, SDHEA, progesterona, estrógeno e testosterna. Grande parte dos nossos hormônios sexuais são produzidos pelas gônadas (testículo, no homem, e ovário, nas mulheres), mas uma pequena parte também pode ser produzida pelas adrenais e pelos rins.

O estrógeno é o maior representante feminino, apresenta papel importante no aparecimento dos caracteres funcionais femininos e na gravidez, além de atuar na formação e modulação óssea. Fornece proteção cardiovascular para a mulher. Apresenta receptores em outras partes do corpo. Sua queda inicialmente se traduz por irregularidade do ciclo menstrual com diminuição do intervalo entre os ciclos num primeiro momento e quando próximos à menopausa estes ciclos ficam mais espessados, até que parem de acontecer. Está relacionada aos sintomas genito- urinários presentes na menopausa como dispauremia (dor a relação sexual) por atrofia e ressecamento vaginal, sintomas vasomotores como fogacho, e aí há uma controvérsia, pois estudos mostram que o fogacho ocorre mais por deficiência de progesterona do que estrógeno, osteoporose e aumento do risco cardíaco. Pode causar insônia, depressão, envelhecimento da pele e dos cabelos.

A progesterona é outro hormônio feminino que está ligado à ovulação e a concepção. Seu pico ocorre no meio do ciclo quando ocorre a ovulação e o aumento do endométrio para a chegada do feto. Se houver fecundação seus níveis aumentam e ela está ligada a manutenção da placenta. Quando é pouco produzida é responsável pela TPM, pela anovulação e dificuldade em manter a gravidez, causando abortos espontâneos. Na menopausa está ligada a fogachos, baixa de libido e outros sintomas estudados pelo Dr. John Lee e conhecidos como predominância estrogênica, mas isto é um assunto longo e fica para outro texto.

O último hormônio é a testosterona, também presente na mulher, porém em menor quantidade. Sua função está ligada a sexualidade, e junto com a progesterona está ligada a libido feminina e masculina. É considerado um hormônio anabolizante e por isso está ligada também a produção de massa muscular, ao controle do tecido adiposo e a manutenção do humor. A testosterona é dado à função de determinação e disposição para enfrentar as adversidades da vida. Também está ligada ao processo de memória e concentração. Quando em baixa temos diminuição do desejo sexual e da sensação de bem estar, mudança de humor, sintomas de fadiga crônica, perda de massa óssea, redução da força muscular, alteração de memória e da função cognitiva.

Bom, lendo o texto acima, observamos que estes sintomas, são sintomas presentes na menopausa. A novidade é que podemos, através dos conhecimentos adquiridos com os estudos dos hormônios, controlar isto de uma maneira mais eficaz e diferente de antigamente, em que o controle destes sintomas eram feitos através do uso único e exclusivo de estrógenos. Hoje podemos associar diversos hormônios e ter um controle maior, com uma melhor qualidade de vida.

Mas como fazer esta reposição? Todos se beneficiam? Que hormônios utilizar?

Bom estas perguntas vou tentar responder agora. Em primeiro lugar devemos fazer uma história completa para que possamos identificar, sintomas, distúrbios gerais, seja ele no campo metabólico, de alimentação, de atividade física e psicológica. Alterações nestes campos podem estar relacionadas à grande parte dos sintomas. A seguir devemos fazer exames que detectem alterações hormonais e metabólicas. Pronto agora é hora de instituir a terapêutica:

  • Primeiro corrigimos todos os pontos que devem ser corrigidos, melhorando alimentação, atividade física e trabalhando ansiedade, stress e outros problemas psicológicos que estiver ao nosso alcance.
  • O próximo passo é analisar os exames e tratar só e somente só o que tiver alterado. O melhor exame para mostrar alteração hormonal principalmente no caso de cortisol e testosterona, é o salivar, mas infelizmente os convênios não cobrem e nem todos conseguem fazer, mas segundo o “consenso de Princeton” sugere que o diagnóstico e tratamento do hipotestosteronismo pode ser feito quando: mulheres com falência ovariana prematura ou menopausa fisiológica exibirem sinais e sintomas que incluem diminuição do desejo sexual, diminuição da sensação de bem estar ou mudança de humor, fadiga persistente e inexplicável perda de massa óssea , redução de força muscular, rarefação de pelos e alteração de memória.
  • Visto isto escolhemos quais os hormônios devem fazer parte da prescrição e vamos ajustando as doses através de exames para tentar alcançar o equilíbrio fisiológico para a idade.
  • As pessoas beneficiadas pela prescrição são aquelas que apresentam história e déficit hormonal comprovado por exames.
  • Mulheres que passaram da menopausa e não fizeram uso de reposição estrogênica tem que ter muito cuidado com a reposição de estrógeno por que nestes casos podemos ter um risco aumentado para problemas cardiovasculares.
  • Temos que ter cuidado também com pessoas que tem histórico prévio de câncer e neste caso a reposição está contra-indicada ou quem tem história familiar de câncer. Mulheres obesas também têm que ficar de olho, pois o tecido adiposo pode formar mais estrona através da conversão da testosterona através da enzima aromatase.
  • Sem sombra de duvida a melhor reposição é feita através de hormônios denominados bioidentico, que são hormônios que podem até ter origem sintética, mas apresentam a mesma molécula que o hormônio produzido pelo seu organismo, portanto com um menor risco de efeitos colaterais.


Bom frente a tudo isso, você está pronta para passar com seu médico, e juntos decidirem qual é o melhor procedimento a ser utilizado no seu caso. Nunca esqueça, o bom senso deve sempre prevalecer, tanto a falta quanto o excesso podem prejudicar o seu organismo!

Pense nisso!

Dra Liliane Lemesin
CRM: 80189