Andropausa, fique por dentro!

Antes de falar sobre o déficit de testosterona da idade, também conhecido como andropausa, gostaria, de como sempre faço nas minhas matérias fazer um apanhado geral sobre o tema, e para começar, que tal você ficar por dentro um pouquinho sobre a testosterona e seu metabolismo?

A testosterona é um hormônio da classe dos andrógenos e é produzida tanto no homem como na mulher. Sua formação ocorre através do metabolismo do colesterol e é dependente de zinco para sua melhor produção.

No homem, sua produção é feita em maior quantidade nas células de Leydig, localizadas no testículo, e uma menor parte na glândula adrenal. Seu maior pico de produção ocorre entre 11 e 13 anos, fase em que ocorre o aparecimento dos caracteres masculinos. No homem adulto, sua produção varia entre 300 a 1000 ng/dl . Deste total, 44% estão ligados à proteínas plasmáticas ( globulina carreadora de hormônios sexuais – SHBG) e 2% na forma livre. Os outros 54 % restantes, constituem uma forma biodisponível, frouxamente ligada à albumina.

A secreção da testosterona ocorre por estímulo  do hormônio LH ( luteinizante) que é liberado pela hipófise através do estimulo hipotalâmico.  Este estímulo ocorre quando há queda no nível de testosterona circulante.

No corpo, a testosterona irá produzir várias funções, sendo divididas em funções androgênicas ( diferenciamento sexual) e anabólicas ( construção tecidual), além de funções extras no cérebro. Abaixo, relaciono estes efeitos:

- Diferenciação sexual : distribuição de pelo, aumento peniano, função prostática, espermatogênese, engrossamento da voz, ereção.

- Anabolismo: aumento de massa muscular, aumento de força muscular, diminuição de massa gorda ( principalmente abdominal) , produção de proteinas hepáticas, crescimento linear de ossos, fechamento de epífeses, manutenção da densidade óssea ( estimulando steam cells ou a eritropoietina renal).

- Outras funções: cognitivas, humor, libido.

Sabemos que os níveis de testosterona ficam bons até os 30/40 anos quando então começa uma queda fisiológica de cerca de 1% ao ano. É por volta dos 60 anos que podemos ter sinais de andropausa, que seria o equivalente a menopausa feminina, mas que diferente das mulheres que tem uma queda abrupta dos hormônios sexuais, na andropausa, isso ocorre lentamente, e aos poucos os sintomas vão se instalando, e, quando o homem se dá conta, ele apresenta diminuição de massa magra, diminuição de força muscular, aumento de gordura, principalmente a abdominal, diminuição da libido com diminuição da ereção, tristeza regular e as vezes depressão, diminuição da sua capacidade de trabalho.

Isto acontece  por volta dos 60 anos, sendo que nesta época pode ocorrer um decréscimo de cerca de 20/30% nos níveis de testosterona total e de cerca de 50/60% na testosterona livre e biodisponível.

Algumas coisas contribuem para estes números e um dos maiores culpados para estas reduções é que ocorre com a idade um aumento do SHBG, uma proteína ligadora de hormônios, que tem alta predisposição pela testosterona, deixando essa inativa. Além disso, com o passar da idade teremos uma diminuição na produção do LH, hormônio que estimula as células de Leydig na produção da testosterona, além de ocorrer uma diminuição também nestas células, como ocorre nos ovários femininos.

Este quadro é normal, fisiológico e faz parte do processo de senescência, que é o envelhecimento saudável, mas que pode ser corrigido com o uso adequado de hormônios, como no caso da menopausa feminina.

Neste caso, após verificação dos exames e do risco, podemos introduzir a reposição hormonal, feita com hormônios bioidênticos e trazer um conforto para o paciente, já que além do aumento de libido e de massa magra, estudos mostram que a terapia reposição hormonal melhoram o humor, o aumento de colesterol e com isso diminuem o risco cardíaco, já que ajudam a diminuir o LDL, os triglicérides e a insulina.

Tudo de bom, não é mesmo!

As contraindicações para o início da reposição seriam:

- Alteração prostática de qualquer forma.

- Aumento das mamas, também conhecido como ginecomastia, por aumentar o risco de câncer de mama.

- Aumento da prolactina.

- Policetemia, que se caracteriza pelo aumento de hemácias circulantes, o que aumenta a viscosidade sanguínea.

- Alterações hepáticas.

De qualquer forma, não saia fazendo uso de qualquer medicação por conta própria. O uso indiscriminado e sem controle de qualquer medicação pode trazer graves consequências para a sua vida.

Procure sempre um médico, que vai te ajudar e indicar o melhor tratamento no seu caso.

Na próxima matéria, vou falar sobre um problema que vem sendo crescente nos dias de hoje, que é causado muito por hábitos ruins de vida, levando à uma queda de testosterona em indivíduos jovens e cada vez mais frequente, até lá!

Dr Liliane Lemesin
CRM: 80189