insulina alta: conheça os riscos

Voltei, e agora vou falar para você as coisas ruins que a insulina pode fazer no seu organismo.

Como sempre falo nas minhas matérias no nosso organismo o equilíbrio é fundamental e no caso da insulina, isto fica bem claro.

Falei na matéria anterior as funções da insulina no nosso organismo e você entendeu o quanto ela é importante, mas quando está baixa ou alta coisas ruins acontecem.

A baixa ou a falta de insulina está presente no diabetes tipo I e nas fases finais do diabetes tipo II, mas falamos sobre ele em outra matéria.

O maior problema da insulina é o seu excesso, é neste momento que começamos apresentar vários problemas de saúde e muitos deles gravíssimos.

O que causa o aumento dos níveis de insulina, a hiperinsulinemia, é o alto consumo de carboidrato simples que estamos consumindo diariamente. Por isso na matéria anterior disse que fico de cabelos em pé quando vejo alguém defendendo o açúcar e dizendo que estamos fazendo uma caça às bruxas condenando o seu uso.

Quando comemos uma alimentação rica em carboidratos simples, estes caem rapidamente na corrente sanguínea e estimulam a liberação de insulina que os coloca para dentro da célula fazendo com que nossa glicemia caia rapidamente e nos fazendo sentir fome. Aí vamos lá e ingerimos mais carboidrato e desta forma nosso pâncreas começa a produzir muita insulina.

Ora na matéria anterior eu disse que a insulina atua aumentando a produção de gordura para estoque e desta forma acabamos engordando, mas eu disse também que ela aumenta a produção de triglicerídeos circulantes causando danos em nossas artérias.
Os danos nas nossas artérias ocorrem por vários mecanismos dependentes do excesso de insulina e por isso ela é um hormônio aterogênico. Vamos a eles:

- Estimula a proliferação e a migração das células do musculo arterial, isto porque a insulina é um fator de crescimento semelhante ao IGF-1 capaz de produzir novos vasos que causa angiogenese e microangiopatias que são responsáveis pelos problemas renais, periféricos (má circulação e gangrena) e de visão (maculopatia que lava a cegueira) que aparecem como consequência do diabetes. Por outro lado, o aumento da proliferação de células do musculo liso, causam espessamento deste vaso (camada intima média) piorando o quadro de aterosclerose.

- Mas não para por aí, a insulina induz a adesão microcitária ao aumentar uma substância denominada VCAM 1 (molécula de adesão mais relevante para desenvolver aterosclerose) nas células endoteliais.

-  Por último, a insulina age aumentando a síntese de colesterol no tecido adiposo aumentando o LDL circulante e estimulando a deposição deste.

- Resumidamente a insulina é responsável direta pela aterosclerose por aumentar  o colesterol, favorecer o seu depósito, alterar as paredes do vaso e indiretamente porque ao aumentar o tecido gorduroso abdominal  ocorre aumento de citocinas inflamatórias transformando tudo isso numa bomba relógio: aumento de pressão arterial, produção  de trombos e diminuição dos calibres dos vasos.

Bom, até aqui vimos que o excesso de insulina é responsável pelo aumento de peso, pela dislipidemia, pela aterogênese. Se você acha que os danos causados por ela param por aí, ah  meu amigo, você está redondamente enganado.

O próximo dano afeta muito as mulheres em idade fértil, isso porque a insulina atua em diversos níveis aumentando a produção endógena de hormônios androgênicos (testosterona, androstenodiona e dihidrotestosterona), isto ocorre porque:

- O excesso de insulina se une ao seu receptor e a receptores de IGF-1   aumentando o efeito do LH nas células da teca (ovário). Age também a nível hepático, ovariano e supra-renal de formas diferentes mas todas elas causando aumento de andrógenos que causam: acne, aumento de pelos periféricos (hirsurtismo), anovulação e irregularidades menstruais. E aí mulherada, se ligaram sobre o quê eu estou falando?

Isso mesmo, estou falando sobre a síndrome dos ovários policísticos e hoje é bem claro a relação da insulina com ela.

Vocês acham que os estragos pararam por aí? Se enganaram mais uma vez. O excesso de insulina causa aborto. Isso mesmo, aborto! Isso porque o excesso de insulina causa alteração na vascularização na implantação endometrial levando a fragilidade destes vasos que acabam não nutrindo corretamente o endométrio levando ao seu descolamento e portanto sendo uma das causas de aborto no primeiro trimestre de gravidez.

A nível cerebral então, vixe! Aí independe de sexo, mas hoje trabalhos recentes ligam a insulina a déficits cognitvos, demências senis, principalmente Alzheimer e demência vascular, Parkinson ,depressão...

 Trabalhos recentes dizem que uma das possíveis causas das demências é um diabetes tipo III. Isso porque descobriu-se que a insulina é responsável pelo controle do depósito de placas de Beta amiloides fora dos neurônios e de proteína TAU dento do neurônio (substâncias responsáveis pelo Alzheimer). Quando em excesso, os receptores de insulina cerebral ficam resistentes a ela e desta forma a insulina não consegue mais fazer suas funções neste órgão. Assim , ocorre aumento das placas, morte celular por aumento do influxo de cálcio, diminuição da função glutamatérgica e gabérgica, alteração da neurotransmissão serotoninérgica e alteração no controle do apetite. UAU

É muita coisa ruim junta para nosso organismo  e ainda podemos citar:

-  Aumento de ácido úrico, já que o excesso de insulina reduz o clearence urinário desta substância e portanto causando gota.

- Doença renal crônica por alteração na filtração glomerular.

- Diversos tipos de câncer dentre eles, os principais: cólon, endométrio, mama e pâncreas.

Em cima disto tudo, mudanças de hábitos são cruciais para o controle da insulina. Neste quesito, um médico que faz Life Style Medicine ( que engloba nutrologia, ortomolecular, envelhecimento saudável) pode te ajudar muito.

Procure o seu, mude hábitos !

Dra Liliane Lemesin

CRM: 80189