Insulina : fique por dentro

Alguns dias atrás, um amigo postou uma matéria de uma nutricionista que defendia o açúcar e dizia que estávamos fazendo uma caça às bruxas, condenando o seu uso. Esta pessoa até defendeu o uso de refrigerantes e bebidas açucaradas.

Ora matérias como esta, me deixam de cabelo em pé e vou explicar o porquê.

Sempre defendo que o equilíbrio é necessário para o bom desenvolvimento do nosso organismo e nem sou louca de dizer que um copo de refrigerante vai te matar, mas vamos aos fatos que realmente importam...

Vivemos uma época de consumo hiper exagerado de açúcar na forma pura ou disfarçado de xarope ou glicose de milho. Um simples copo de refrigerante ou de suco industrializado tem uma quantia enorme de açúcar dentro e se somarmos no final do dia, sendo complacentes, estamos sim é contribuindo para o aparecimento de graves problemas de saúde em nossas vidas.

Isto ocorre porque o açúcar vai estimular a produção de insulina e esta, será hoje, a estrela da nossa matéria.

A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas e tem muitas funções no organismo. Este hormônio é liberado principalmente após a alimentação para controlar a quantidade de açúcar no sangue , que em excesso é altamente prejudicial , e jogar este açúcar para dentro das células.Não só o açúcar estimula a liberação de insulina, mas os aminoácidos vindo da dieta proteica também.

A insulina é um hormônio importantíssimo no nosso organismo porque está intimamente ligada ao metabolismo energético, sendo considerado um hormônio anabólico (responsável pela construção de tecido no organismo) assim como o GH (hormônio do crescimento) e a testosterona.

Para atuar no metabolismo energético a insulina faz as seguintes ações:

- Aumenta a captação tecidual de glicose. Ela faz isso em vários tecidos, mas principalmente no fígado, musculo e tecido adiposo.

- Diminui a produção hepática de glicose.

- Estimula a lipogênese (fabricação de gordura para depósito), aumentando a produção de triglicerídeos no fígado e adipócitos.

- Inibe a lipólise (quebra de gordura).

- Aumenta a síntese proteica e diminui a degradação de proteínas.

Como hormônio anabólico (construtor), a insulina:

- Facilita o transporte de aminoácidos para o interior de hepatócitos, células musculares e fibroblastos, estimulando a fabricação de proteínas.

- Participa da formação de hormônios esteroidais.

- Atua diretamente na função dos vasos sanguíneos.

- Atua formando fibrina e crescimento tecidual.

Bastante coisa, não é mesmo?

Pois é, mas as funções da insulina não param por aí. Até bem pouco tempo atrás, sabíamos que o cérebro não precisava de insulina para captação de glicose e achávamos que nele não havia insulina presente. Até que recentemente, foi descoberto em ratos e posteriormente em cérebros humanos, receptores de insulina.

Esta descoberta deixou a sociedade científica em polvorosa. Ora, se a entrada de glicose nos neurônios não é dependente de insulina e portanto a função da insulina ali não estaria ligada ao metabolismo energético, então qual seria sua real função?

Para surpresa de todos as funções da insulina cerebral é diversa e importante. Vamos a elas:

- Cientistas encontraram uma alta concentração de insulina no núcleo ventromedial do hipotálamo, região importante no controle do apetite e de peso corporal. Pesquisas posteriores mostraram então a importância da insulina na obesidade.

- Ela apresenta funções reprodutivas por agir na liberação do hormônio liberador das gonadotrofinas (FSH e LH).

- Atua na função cognitiva (memória e aprendizado) por atuar na neurotransmissão glutamatergica e gabaérgica e por modular a concentração de outros dois neurotransmissores importantes  nestas funções, acetilcolina e noradrenalina. De outra forma, a insulina estimula a liberação de oxido nítrico cerebral que também está envolvido na função cognitiva.

- Previne danos causados pela isquemia cerebral e da hiperglicemia cerebral regulando o acúmulo do ácido lático e a acidose cerebral. Além disso, a insulina estabiliza a homeostasia do cálcio que em excesso dentro do neurônio, pode causar a sua morte.

- Atua também controlando a dopamina e a serotonina e, portanto, regulando o humor.

- Controla a formação de proteína TAU e β- amiloide que em excesso podem causar Alzheimer.

- Controla o grau de inflamação cerebral, atuando no controle das citocinas inflamatórias.

Como você deve ter visto acima, é muita coisa boa que a insulina faz não é mesmo?

Neste momento você deve estar se perguntando, a doutora enlouqueceu? Diante disso tudo, como a insulina pode fazer mal ao nosso organismo?

Como sempre digo, tudo é uma questão de equilíbrio.

Falo sobre isso na parte dois.

Espero que vocês tenham gostado desta primeira parte.

Até já!

Dra Liliane Lemesin

CRM:80189