Entendendo a Importância da Flora Bacteriana Intestinal

Há muito tempo, nós que fazemos ortomolecular vínhamos falando da importância da flora intestinal para o nosso organismo, eu até já havia escrito uma matéria sobre isso há algum tempo atrás com o seguinte título: COMO ANDA SEU INTESTINO?

Pois é o que falávamos há tempos atrás está sendo febre nos dias atuais e a cada dia que passa você vai ouvir falar cada vez mais sobre a importância da flora intestinal para nosso organismo, portanto, esta nova série de matérias servirá exatamente para que você possa entender um pouquinho sobre o assunto.

Hoje, vou falar basicamente da microbiota intestinal e nos próximos artigos sobre como ela vem sendo associada a obesidade, doenças autoimunes, candidiase crônica e ultimamente até com o aparecimento de autismo.

O recém-nascido nasce com uma microbiota intestinal zerada e esta vai se desenvolvendo a partir daí, ficando completa no período de seis meses há 1 ano. Esta colonização é influenciada por diversos fatores que vão desde o tipo de parto, passando pela amamentação e pela introdução de papinhas. Num rápido resumo, este processo pode ser alterado pelo parto cesárea, pela falta de amamentação no peito e pela introdução precoce de alimentos compostos ricamente por dissacarídeos e monossacarideos como mel, xarope de frutose e sacarose (estes componentes são ricamente encontrados no açúcar e nos produtos industrializados). Sendo que estes compostos favorecem a formação de uma flora patógena que com o passar do tempo vai causar estragos no organismo humano.

A colonização do trato gastrointestinal compreende uma população bacteriana estável. As bactérias nativas não se proliferam aleatoriamente no trato gastrointestinal, sendo que determinadas espécies são encontradas em concentrações e regiões específicas. Desta forma sabemos que temos aproximadamente cerca de 10¹⁴ UFC (unidade formadora de colônias) de bactérias divididas em mais de 500 espécies diferentes, sendo constituídas por bactérias anaeróbias estritas (Bacterioides, Eubactérium, Fusobactérium, Peptoestreptococcus, Bifidobactérium), anaeróbias facultativas (Escherichia coli,Enterococcus fecalis) e Lactobacillus, e ainda com uma microbiota residual composta por procarióticos (enterobactérias, Pseudomonas, Veillonella) e eucarióticos (leveduras e protozoários).

A microbiota intestinal saudável forma uma barreira contra os microorganismos invasores, potencializando os mecanismos de defesa do hospedeiro contra os patógenos, melhorando a imunidade intestinal pela aderência à mucosa e estimulando as respostas imunes locais. Além disso. Ela também compete por combustíveis intralumiais, prevenindo o estabelecimento das bactérias patogênicas.

Ela ajuda a digerir alimentos e produzir ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) e proteínas, que são parcialmente absorvidos e utilizados pelo hospedeiro (células intestinais). Apresentam ainda importantes funções metabólicas e nutricionais, incluindo hidrólise de ésteres de colesterol, de andrógenos, estrógenos e de sais biliares e a utilização de carboidratos, proteínas e lipídeos.

As bactérias colônicas continuam a digestão de alguns materiais que resistiram à atividade digestiva prévia. Neste processo, vários nutrientes são formados pela síntese bacteriana e ficam disponíveis para absorção, entre eles, vitamina K (responsável entre outras coisas pela saúde dos ossos), vitamina B12, Vitamina B1 e Vitamina B2 (vitaminas do complexo B são essências em várias reações químicas do organismo), triptofano (responsável pela produção de serotonina, melatonina e NADH).

A microbiota intestinal auxilia a fermentar carboidratos que foram mal absorvidos ou que são resistentes a digestão, sendo assim, ajudam a digerir as fibras da dieta em AGCC (butirato,propionato, acetato e lactato) e gases.

O ácido butirico ou butirato é o principal alimento preferido dos colonócitos (células que constituem o cólon) e é produzido pela ação da fermentação das bactérias intestinais sobre a fibra da dieta, particularmente a fibra insolúvel.

Atualmente se reconhece que os AGCC exercem papel fundamental na fisiologia normal do cólon, no qual constitui a principal fonte de energia para os enterócitos e colonócitos, estimulando a proliferação celular do epitélio digestivo, o fluxo sanguíneo visceral e intensificando a absorção de sódio e água, ajudando a regular a carga osmótica de carboidrato acumulado.

Resumindo, uma flora bacteriana intestinal saudável é responsável nada mais nada menos por quase todo o funcionamento do organismo já que dela depende a boa absorção de nutrientes que são necessários para o bom funcionamento do organismo, é uma barreira contra a invasão de micro-organismos, tem função imune, já que no trato gastrointestinal encontra-se em grande parte algo recentemente descoberto denominado Toll Like Receptor (TLR) que é responsável pela defesa imune do organismo e é ativado pela flora patógena intestinal que é combatida pela flora benéfica, controla a inflamação, tem função no controle da depressão, ansiedade e insônia, controla o transito intestinal e previne Câncer de cólon, grande responsável por mortes no mundo todo, ajuda no combate aos sinais de envelhecimento.

O processo de colonização por bactérias patógenas denomina-se disbiose e será discutido no próximo artigo. Após todo este conhecimento você vai começar a olhar com outros olhos para sua flora intestinal. Na matéria sobre disbiose vou explicar sobre o que favorece a formação da flora patógena, quais as consequências desta proliferação e como cuidar bem da sua flora intestinal, então até a próxima matéria.

Dra Liliane Lemesin
CRM: 80189