Álcool, dados reais e alarmantes!

Quando falamos em lifestyle medicine, não podemos deixar para trás o uso do álcool.

Esta série de matérias vão nos dar uma boa ideia sobre ele e sobre os malefícios que o uso exagerado desta substância pode causar no nosso organismo.
E para começarmos, nada melhor do que entendermos um pouquinho sobre a história do consumo de álcool pela humanidade, o que você acha?

Estima-se que a bebida alcoólica teve sua origem por meio de um processo natural de fermentação que pode ter ocorrido juntamente com o surgimento da agricultura e a invenção da cerâmica ainda no período Neolítico e que a mesma foi introduzida ao resto da civilização pelos Sumérios, sendo utilizada em celebrações, uso terapêutico e rituais religiosos.
Na história da Grécia, por volta do século IV e V a.C, temos uma excelente produção de vinho e com representação de divindade, na figura de Deméter, deusa da agricultura e Dionisio, que estava diretamente ligado as festividades do vinho. No Império Romano, no século II a. C., com um solo ótimo para o cultivo da uva, houve um aumento na produção da bebida e esta ganhou mais uma divindade, Baco, o deus do vinho e da festa.

 Na idade média o consumo e a comercialização da cerveja e do vinho cresceram consideravelmente, mas foi a partir da revolução industrial, com a modernização da produção, industrialização, que houve um boom no consumo de álcool pela população com o aumento do consumo de destilados como gin, Whisk e cachaça.

Com a produção em larga escala e com o preço das bebidas caindo por esta condição, ampliou-se o uso desta bebida que era consumida apenas nas refeições para tornar-se uma “bebida forte” e que podia ser consumida a preços baixos, levando a intoxicação.

Foi Thomas Trotter quem primeiramente descreveu as alterações relacionadas ao álcool, a qual ele denominou de “doença do álcool” e que era constituída de manifestações físicas e mentais. Em 1849 , o sueco Magnus Huss,  introduziu o conceito de alcoolismo crônico. E em 1960, os estudos Jellenek, atribuíram doenças relacionadas ao uso problemático do álcool.

Foi em meados de 1935 que Bob Smith e Bill Wilson, ambos alcoólatras, após sua recuperação criaram uma fundação com nome de Alcoólicos Anônimos que tem a função de recuperar dependentes de álcool e que funciona muito bem como apoio ainda nos dias atuais.

Atualmente, o consumo de álcool é responsável por cerca de 2,5 milhões de mortes por ano, sendo o terceiro maior fator de risco no mundo para doenças e incapacidades por danos sociais, estando entre os principais colaboradores para o fardo global de doenças em países de baixa e alta renda. O álcool está diretamente associado a mais de sessenta tipos de doenças  ou lesões que vai desde problemas no sistema digestivo (cirrose, gastrite, ulcera e pancreatite), psiquiátrico ( depressão, ansiedade, delírios, demências) e até mesmo o aparecimento de câncer em diversos órgãos como colo, reto, boca, faringe, laringe, esôfago, fígado, mama e pâncreas.

Segundo dados recentes, 2014, da Organização Mundial de Saúde (OMS), 2,5 milhões de pessoas morrem ao ano por causa do álcool o que corresponde a cerca de 4% do total de óbitos mundial sendo maior do que as mortes causadas por HIV ou Tuberculose.

O consumo de álcool atual no Brasil, apesar de ter caído um pouco com relação a dados de 2010, ainda é 40% maior do que a média mundial. Segundo a OMS, o consumo de álcool mundial entre indivíduos acima de 15 anos é de cerca de 6,2 litros por ano por pessoa o que equivale a um consumo de 13,5 gramas por dia. No Brasil, o consumo é de cerca de 8,7 litros por pessoa por ano, ou seja 40%  maior. Apesar do consumo mundial ter caído nos últimos anos, as projeções futuras são assustadoras mostrando um aumento substancial nos próximos 20 anos.

Pesquisa recente, feita pelo IBGE e por órgãos da América Latina, mostram dados alarmantes que batem com as projeções mundias feitas em 2014 pela OMS.
Estes dados mostram um aumento substancial de consumo de álcool por adolescentes sendo que a idade de iniciação vem caindo para os 12/13 anos. Nesta pesquisa recente, feita pelo IBGE em 2015 e publicada em 2016, mostrou que 78% dos jovens bebem regularmente e que 19 % já são dependentes de álcool.

Isto se explica porque o cérebro do adolescente, ainda em formação, fica mais propício ao desenvolvimento do vício, isto piora com o consumo abaixo dos 16 anos.
O uso de álcool por jovens, além do risco de dependência causa sérios riscos de vida sendo responsável pela maioria das mortes nesta idade, pois aumentam consideravelmente o risco de acidentes de trânsito, suicídio e homicídio.

Além destes riscos, os jovens ficam expostos à um maior risco de violência sexual e do comportamento de risco por fazerem sexo sem camisinha podendo desenvolver gravidez na adolescência além de doenças sexualmente transmissíveis como sífilis, gonorreia e HIV. Existe também uma maior probabilidade de desenvolver risco para o uso de drogas ilícitas nesta idade, piorando ainda mais o quadro.

Como eu disse anteriormente, até os 16/18 anos o cérebro ainda está em desenvolvimento e o uso de álcool mesmo que não abusivo pode trazer consequências como depressão, ansiedade, surtos esquizofrênicos ( aí mais associado ao uso concomitante de maconha), déficit de memória, perda no rendimento escolar, retardo no aprendizado e no desenvolvimento de habilidades.

Uau, como você pode ter visto , o assunto é bem sério e realmente merece ser esclarecido.

Nos próximos artigos, vou falar sobre o consumo e dependência ,dando a você a noção de um consumo moderado, beber pesado e beber pesado episódico. Vou falar sobre dependência, como o álcool age no organismo e suas consequências físicas, psicológicas e nutricionais.

Espero que vocês tenha gostado.

Até a próxima matéria.

Dra Liliane Lemesin

CRM:80189