Entenda a importância da lifestyle na gravidez

  Na matéria anterior conversamos sobre a necessidade de se estar bem nutricionalmente para receber o seu bebê. Nesta matéria, irei falar como devemos proceder para que isso ocorra bem.

 Bom, neste momento você está se preparando para receber um novo ser no seu ventre e isso é um evento super importante na sua vida.

 O primeiro passo a ser avaliado é saber como anda o seu peso e a saúde do seu intestino. Falei na primeira matéria sobre o risco de estar acima do peso para você e seu bebê, e se você conseguir perder uma boa parte deste peso antes de engravidar, seria fundamental neste momento.

 Você agora deve estar pensando: mas eu vou engordar mesmo na gravidez, que diferença faz?

Muita! Mesmo porquê hoje em dia é imprescindível o controle do ganho de peso também neste período e a desculpa que estou grávida e posso comer de tudo é inaceitável.

Um ganho de peso de 9 a no máximo 12 kgs é a regra e o suficiente para você manter uma boa gravidez.

O segundo ponto é a sua saúde intestinal. Se seu intestino não estiver funcionando bem, você pode não estar absorvendo todos os nutrientes necessários para manter você e seu bebê bem neste período.

O terceiro ponto é como anda seu estoque de ferro e a sua metilação. Verificamos isso através de exames de sangue como ferro sérico, ferritina, homocisteina.

Com tudo isso em ordem, começamos a suplementação pré-gravidez com ácido fólico, ômega3, mioinositol, L – carnitina, ácido lipoico, colina, zinco e vitamina B12. Isto vai fazer com que você tenha uma melhor ovulação, nidação ( que é o implante do óvulo no útero) e um bom desenvolvimento inicial do seu bebê, isto porquê grande parte destes suplementos fazem parte da constituição da membrana celular.

A partir do momento da concepção então é hora de começarmos uma suplementação  para a boa formação do bebê sendo que isto diminui os riscos de uma má formação ajudando no bom desenvolvimento fetal. Para começar devemos usar um polivitaminico especifico para este período como o Materna .

Além disso, outros suplementos são necessários e devem ser avaliados e prescritos. São eles:

ÔMEGA 3:

- Crianças de mães suplementadas com ômega 3, apresentam melhor processamento mental, aprendizado, memória, desenvolvimento psicomotor e coordenação mãos olhos. Diminuição da ansiedade.

- Efeito positivo na visão da criança. O DHA (uma sustância presente neste óleo) é uma das principais gorduras estruturais na retina do olho.

- Níveis adequados de DHA na dieta parecem ser cruciais para a construção da resiliência neuronal de longo prazo, para um ótimo desempenho cerebral e ajuda a prevenir doenças neurológicas e psiquiátricas.

- Melhor saúde gestacional e no parto.

- Melhor crescimento e desenvolvimento dos bebês.

- Maior adaptação ao estresse durante a gestação e prevenção da depressão pós-parto.

INOSITOL:

- Função primária na composição e integridade da membrana celular.

- Participa da sinalização celular e de mensageiros secundários, sendo essencial na montagem do citoesqueleto celular, no controle da concentração de cálcio intracelular, modula a atividade da insulina, quebra de gordura e diminuição dos níveis de colesterol.

- Formação de células da medula óssea, células da retina (olho) e intestino.

- Está em grande quantidade no sistema nervoso central, aonde junto da Colina, faz parte da nutrição celular. Além disso, auxilia a troca de mensagens entre neurônios e o controle dos canais de cálcio, sendo importante para o bom funcionamento de neurotransmissores.

- Apresenta-se em grande quantidade no leite materno. Estudos mostram ação no sistema imunológico e melhora do desconforto respiratório do bebê que pode levar à óbito ou invalidez.

- Para a mãe ajuda no bom funcionamento intestinal, prevenindo constipação e aliviando a prisão de ventre.

COLINA:

- É necessária para a formação da lipoproteína fosfatidilcolina, um dos principais componentes da membrana celular.

-Desempenha papel central no desenvolvimento cerebral da criança em especial na área do hipocampo e encéfalo frontal, áreas responsáveis pela memória e atenção.

- Melhora a resposta como a criança responde ao estresse.

- Estudos realizados na Universidade do Colorado (USA) pelo Dr Robert Fredman, autor de vários estudos clínicos sobre esquizofrenia, mostraram um menor risco de desenvolver esquizofrenia em crianças que receberam suplementação de colina na gestação.

- Participa de maneira importante na formação do tubo neural, sendo tão importante como o ácido fólico.

- Para as mamães auxilia no controle dos níveis de cortisol, melhorando o estresse e também no controle da depressão pós-parto.

PROBIÓTICOS ( bactérias intestinais do bem):

- Uma colonização bacteriana positiva, auxilia em processos alérgicos e no amadurecimento do sistema imune, impedindo uma série de doenças.

- Uma série de trabalhos publicados em revistas especializadas ( Jama Dermatology/2013; Allergy/2015; Journal of Dermatological Tratament/2015) falam sobre o benefício dos probióticos sobre a dermatite atópica que afeta 1 em cada 5 crianças. Os estudos concluíram que os probióticos podem limitar a sua ocorrência ou sua severidade, produzindo uma proteção de longa duração.

- Nas mamães os probióticos auxiliam no controle do excesso de peso, diminuem os riscos de parto prematuro, além de diabetes gestacional e infecção urinária, que são comuns nesta fase.

- Os prebióticos ( fibras) por sua vez não podem faltar na dieta da mamãe, porque além de servirem de alimentos para os Probióticos, eles diminuem a absorção de gorduras pelo intestino, melhorando os níveis de colesterol; atuam controlando a glicemia; reduzem o excesso de peso e fortificam o sistema imune.

ZINCO:

- É necessário para a replicação de ácidos nucleicos durante a divisão celular sendo responsável pela transcrição e tradução genica, traduzindo isso tudo ele ajuda na cópia do DNA na hora da divisão celular.

-  Regula o desenvolvimento cerebral e sua falta pode afetar o desenvolvimento hipocampal e a regulação autônoma do sistema nervoso central.

- Como é um grande responsável pelo sistema imune ele ajuda a proteger o feto de infecções virais, bacterianas e fungicas, atuando diretamente no sistema de defesa materno.

-  O déficit de zinco materno pode resultar em hipertensão arterial sistêmica, eclampsia, deslocamento prematuro de placenta, aborto, nascimento prematuro, prolongamento do trabalho de parto, hemorragia pós-parto, retardamento do crescimento fetal e anormalidades congênitas.

ÁCIDO FÓLICO:

- Além de prevenir má formação do tubo neural,estudos modernos mostram que ele é necessário para a rápida proliferação celular, regulação da expressão genética, metabolismo de aminoácidos e síntese de neurotransmissores.

- Em 2012 um estudo sistemático e de meta-analise apontou um efeito positivo do ácido fólico sobre o peso do bebê ao nascer.

- Para as mamães, ele ajuda na prevenção ou minimização da depressão  pós-parto.

 VITAMINA D:

-Descobertas recentes e reveladoras mostraram que todas as células possuem receptores para a vitamina D. Pesquisadores da Universidade de Oxford descobriram 2.776 pontos de ligação com receptores de vitamina D ao longo do genoma. Isso seria como uma chave bioquimca que abre diferentes portas com ampla influencia para a saúde humana.

- Um estudo da pediatra e neonatologista americana Carol Wagner, da Universidade da Carolina do Sul, mostrou ainda que a vitamina D reduz em 50% a possibiidade de complicações na gravidez.

- Sua deficiência, na gestação está ligada à pré- eclampsia, diabetes gestacional, nascimento prematuro.

- Para o bebê ela pode causar raquitismo, hipoplasia dentária, baixo peso ao nascer, obesidade tardia na infância, autismo e outras desordens psiquiátricas.

MAGNÉSIO:

- Mineral importante no metabolismo do carboidrato, sendo importante para evitar resistência insulínica, dislipidemia e disfunção endotelial .

- O magnésio é o mineral mais crítico necessário para a estabilidade elétrica de cada célula do que desempenham um papel notável no corpo. A sua deficiência, pode causar mais doenças do que qualquer outro nutriente.

- No período gestacional e de lactação aumenta por volta de 350 mg.

- O déficit de magnésio gestacional, está relacionado à pré-eclampsia, câimbras nas pernas, diabetes gestacional, hipertensão gravídica.

- No feto pode causar paralisia cerebral por parto prematuro e risco de doença coronariana futura.

IODO:

- É extremamente importante na biossíntese dos hormônios tireoidianos T3 e T4, que desempenha um papel importante no crescimento e desenvolvimento dos órgãos e, principalmente, do cérebro embrionário, antes, durante e pós gravidez. A ingestão de iodo nos níveis recomendados ajudará a evitar uma má formação cerebral e a preservar a capacidade de aprendizado da criança.

FERRO:

- Antes mesmo de engravidar, o corpo precisa de ferro para realizar uma série de funções, como produção de hemoglobina e manutenção de um sistema imunológico saudável.

- O bebê utiliza ferro em grande quantidade para o seu desenvolvimento e para a placenta, especialmente no segundo e terceiro trimestre.

- Um déficit  de ferro materno pode resultar em baixo ganho de peso, complicações no parto, nascimento prematuro ,  déficit cognitivo e em casos mais graves mortalidade materna.
 
CALCIO:

- Utilizado em grande quantidade  pelo bebê, faz parte do metabolismo ósseo e também de sinalização celular.

-Sua deficiência pode causar na gestante: câimbras, aumento de cárie , gengivite e perda de dentes, unhas quebradiças, hipertensão arterial e pré-eclampsia.

- Na mãe e no bebê: alteração nos batimentos cardíacos, contração muscular, e de coagulação.

- No bebê: seu déficit pode causar má formação óssea e dos dentes.

- Estimula a produção de leite materno.

VITAMINA E:

- Desenvolvimento cerebral e cognitiva da criança, desenvolvimento do sistema nervoso como um todo, resistência geral á infecção. Estas são as contribuições da vitamina E no desenvolvimento do bebê.

- Quando em falta  pode causar: anemia hemolitica, nanismo , aborto, descolamento prematuro de placenta, baixo crescimento intra- uterino.

- No bebê pode ser causa de hiperbilirrubinemia ( quando o bebê fica amarelinho), neuropatias periféricas .

Bom, estes são os principais nutrientes que podem e devem ser suplementados a mais e ajudam no excelente desenvolvimento do bebê e das demais complicações maternas na gestação. Isto não quer dizer, em hipótese alguma que não ocorrerá nenhum problema gestacional, que fique bem claro, mas que estas atitudes ajudam muito a reduzir os riscos.

Frente tudo isso, você pode sair tomando seus suplementos por conta própria ?

De jeito nenhum, vivo falando que na vida e na suplementação tudo é uma questão de equilíbrio e o excesso pode fazer tão mal quanto a falta.

Um bom exemplo disso é por exemplo a vitamina A, tanto sua falta, quanto seu excesso causam teratogenicidade, que é a má formação do seu bebê.

Então, se você está pensando em engravidar ou já está gravida, converse com seu ginecologista/ obstetra e procure um médico que faça nutrologia. Juntos, obstetra e nutrologista , farão com que sua gravidez ocorra da melhor maneira possível.

 Espero que esta duas matérias tenham ajudado.

Dra Liliane Lemesin

CRM: 80189