Fibromialgia, um pouco de história

A fibromialgia é definida como uma síndrome dolorosa crônica associada a outros sintomas.

A primeira descrição presente na literatura de um quadro clínico semelhante ao da fibromialgia é a de Gowers, que em 1904 descreve uma síndrome caracterizada por dor lombar e dor a palpação de pontos dolorosos dessa região. Sua hipótese é de que se tratasse de um quadro inflamatório adjacente a tais estruturas sensíveis, por isso a nomenclatura atribuída ao quadro foi de Fibrosite.

De certa forma, o estudo ficou meio parado até os anos de 1970, sendo nesta época que ela ficou conhecida como uma entidade clínica bem definida sendo associada pela primeira vez com distúrbios do sono.

O conceito de fibromialgia começou a ser formulado por volta de 1977, quando foram descritos sítios anatômicos com exagerada sensibilidade denominados Tender Points.

O termo fibromialgia apareceu pela primeira vez em 1981, e quem atribui este termo a síndrome, que até então era conhecida como Fibrosite, foi Yunus e col.

A palavra fibromialgia é derivada do latim e significa:

Fibro: tecido fibroso presente em ligamentos, tendões e fáscias;

MIO: tecido muscular

Algos: dor

Ia : condição

Neste período observou-se que não havia reação inflamatória no tecido álgico.

Em 1990, um comitê do colégio americano de reumatologia definiu como critério classificatório de fibromialgia a presença na história clínica de dor generalizada, afetando o esqueleto axial e periférico, acima e abaixo da cintura, com duração superior de três meses; e no exame físico a dor à palpação com força aplicada de 4 kg/cm quadrado em pelo menos 11 dos seguintes 18 tender points (9 pares):

1)      Inserção do músculos suboccipitais na nuca;

2)      Ligamentos dos processos transversos da quinta a sétima vértebra cervical;

3)      Borda rostral do trapézio;

4)      Origem do músculo supraespinhal;

5)      Junção do músculo peitoral com a articulação costocondral da segunda costela;

6)      Dois centímetros abaixo do epicôndilo lateral do cotovelo;

7)      Quadrante súpero externo da região Glútea, abaixo da espinha ilíaca;

8)      Inserções musculares no trocânter femoral;

9)      Coxim gorduroso, pouco acima da linha média do joelho.

Atualmente, os critérios atuais não contemplam apenas os tender points, entretanto englobam os sintomas não relacionados ao aparelho locomotor:

- Fadiga;

- Rigidez muscular;

- Dor após esforço físico;

- Anormalidades do sono.

Além destes sintomas clássicos, podem acompanhar o quadro  de fibromialgia:

- Depressão;

- Ansiedade;

- Deficiência de memória;

-Desatenção,

- Cefaleia tensional ou enxaqueca;

- Tontura, Vertigem;

- Parestesias (formigamento e/ou adormecimento);

- Síndrome do intestino irritável;

- Síndrome das pernas inquietas e muito mais.

A fibromialgia ataca preferencialmente mulheres, no Brasil, esta prevalência é de 2,5% da população, sendo que 40,8% está entre 35 e 44 anos de idade. É a segunda patologia na especialidade de Reumatologia, ficando atrás apenas da osteoartrite.

Os gastos com esta patologia tanto na saúde pública como no particular são muito altos. Um estudo feito pela academia americana de reumatologia, publicado em 2007, sugerem que eles fiquem próximos à 9573,00 dólares por paciente por ano, o que representa gastos de três a cinco vezes maiores do que na população em geral.

Se você se identificou com os sintomas descritos, procure um médico que possa começar o seu tratamento, mais precisamente um reumatologista.

No próximo artigo, vou falar sobre, possíveis causa da síndrome e sobre diagnósticos diferenciais.

Até lá!

Dra Liliane Lemesin

CRM:80189