Fibromialgia: veja o que a medicina integrativa pode fazer por você

Relembrando dados detalhados na primeira matéria desta série, a Fibromialgia é uma síndrome reumática caracterizada por dores musculoesqueléticas (generalizadas e crônicas) e pela presença de pontos dolorosos, chamados tender points, em regiões anatomicamente determinada. É considerada uma síndrome porque engloba uma série de manifestações clínicas, como:

-  Dor, indisposição, distúrbios do sono, estados depressivos, ansiedade, sintomas compatíveis com síndrome do pânico, fadiga (em especial pela manhã), déficit de memória, desatenção, obstipação ou diarreia, bruxismo ou apertamento, boca seca, cefaleia tensional ou enxaqueca.

O perfil psicológico dos pacientes com fibromialgia está associado ao perfeccionismo, à autocrítica severa, à busca obsessiva do detalhe.

Bom definido isso, vamos ao tratamento e vou explica-lo passo a passo a seguir.

Como você pode constatar na segunda matéria desta série, existem vários fatores que tentam explicar a fisiopatologia da fibromialgia, então hoje sabemos que estes fatores vão desde distúrbios de neurotransmissores, com alterações genéticas comprovadas para tal, como mais recentemente déficit mitocondrial que pode ser consequência de alterações genéticas, confirmados em casos de história familiar e em vários novos estudos.

O déficit mitocondrial é uma hipótese plausível que consegue explicar de maneira clara o porquê da maior predisposição a doença ser do sexo feminino. Bom vou explicar isso: a nossa célula tem como carga genética dois tipos de cromossomos: o nuclear, que é a junção do cromossomo da mãe e do pai, e o mitocôndrial e aqui temos uma diferença, neste caso estes cromossomos são apenas de origem materna. Isto acontece porque na hora da fecundação o que entra no óvulo é apenas a cabeça dos espermatozoides que são isentos de mitocôndria.

 Como expliquei em uma matéria que fala sobre esta organela, a mitocôndria é a organela dentro da célula que produz energia e no caso do espermatozoide, ela fica exatamente na cauda, porque é esta parte que é responsável pela agilidade na movimentação. No momento da fecundação a cauda fica do lado de fora e é descartada. Quando ocorre a duplicação celular, a carga genética do pai e da mãe se unem, formando o cromossomo nuclear que dará as características genéticas do indivíduo, mas como não houve a mitocôndria paterna, resta apenas a carga genética materna. Entenderam?

Além do mais, quando você não produz energia, na forma de ATP seu corpo padece com dores, cansaço, falta de disposição, alteração de memória e muito mais. Sem ATP, nada funciona no nosso oorganismo.

Bom vamos agora ao que importa, o tratamento:

Até então, o tratamento da fibromialgia, o tradicional que ainda continua sendo feito é baseado em analgésicos e anti-inflamatórios, relaxante musculares e drogas que modulam os neurotransmissores, entre eles: inibidores da IMAO, antidepressivos tricíclicos ou receptadores de serotonina. Hora associado a estes, tem os fármacos que vão tratar os sintomas associados a síndrome.

Bom não preciso dizer que esta gama de medicações levam à uma gama de iatrogenias (males causados por medicamentos) que implicam numa série de outros medicamentos que acabam aumentando estas iatrogenias.

Com a medicina integrativa, entre elas bases de nutrologia e ortomolecular, conseguimos junto ao médico reumatologista, diminuir o número de medicamentos e de seus efeitos colaterais.

Como fazemos isso?

- Ajustamos a alimentação dando prevalência para alimentos que são antiinflamatórios e diminuímos o consumo de alimentos inflamatórios.

- Corrigimos o aumento de stress oxidativo que ocorrem nestes quadros porque existem alguns marcadores bioquímicos aumentado em pacientes com fibromialgia, que estimulam o aumento do stress oxidativo inibindo algumas enzimas antioxidantes. O aumento de radicais livres dentro da célula causa uma reação denominada peroxidação lipídica que acaba matando a mitocôndria.

- Neste caso usamos suplementos e fitoterápicos que acabam modulando estas substância e ajudando as enzimas antioxidantes.

- Usamos suplementos que aumentam energia e induzem a biogênese mitocondrial (formação de novas mitocôndrias). Isso acaba facilitando o aumento de atividade física, da disposição, além de diminuir o cansaço, o déficit de memória
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- O uso crônico de anti-inflamatórios acabam destruindo a flora benéfica intestinal, portanto o controle da disbiose é essencial nestes quadros. Então repomos a flora.

- Usamos melatonina para melhorar a qualidade do sono. Como estes pacientes tem déficit de serotonina e a melatonina é um derivado desta substância, repor, acaba ajudando muito na qualidade do sono e por consequência diminui o uso dos indutores de sono.

- Algumas vezes, estas mulheres podem apresentar déficit hormonal na segunda fase do ciclo, então acabamos fazendo um pouco de modulação hormonal.

Bom para fazermos todas estas alterações, tudo é feito com base em exames e em história do paciente.

Cerca de 80 a 90 % das pessoas apresentam algum grau de melhora dos sintomas, uma grande parte com uma melhora significativa.

Espero ter ajudado!

Dra Liliane Lemesin

CRM: 80189