Quer engravidar? Saiba como a lifestyle medicine pode te ajudar

  Olá,

Vamos falar um pouquinho sobre esta fase maravilhosa da vida de uma mulher que é a maternidade.

Neste momento, o relógio biológico deve estar batendo forte e você resolveu que está na hora de ser mãe e para isso você tem que se preparar para que sua gravidez ocorra da melhor maneira possível, sem intercorrências para você, mamãe, e para seu lindo bebê, não é mesmo?

Então em primeiro lugar você deve saber como anda sua saúde e um bom check-up é fundamental para isso, porque detectamos se você tem diabetes, pressão alta, problemas tireoidianos, se você tem alguma doença contagiosa que possa passar para o seu bebê, e finalmente, precisamos saber como anda a sua saúde nutricional.

Minha saúde nutricional? Mas eu como bem doutora, você deve estar pensando neste momento , como assim?

É  que , com o avanço da nutrigenômica e da epigenética descobrimos que nosso estado nutricional pode alterar para sempre nosso metabolismo e aumentar nossa chance de desenvolver obesidade, diabetes tipo 2 , síndrome metabólica. Tudo isso quando ainda somos um bebezinho na barriga de nossas mães. Estas alterações nutricionais e de meio ambiente podem alterar não só metabolicamente, como também, a resposta imunológica por exemplo : fumo,dieta e deficiência de vitamina D podem comprometer o desenvolvimento do pulmão do bebê  sendo responsável posteriormente pelo aparecimento de  Asma ou doença pulmonar obstrutia crônica.

Só para você entender um pouco melhor, por exemplo, se você está com déficit de vitaminas do complexo B como ácido fólico, B12 e B6, você pode ter um processo hepático deficiente denominado metilação e isto faz com que haja um aumento de uma substância em nosso corpo que se denomina homocisteina. Quando temos um nível alto de homocisteina, isto quer dizer que podemos estar sofrendo alterações epigenéticas no nosso organismo que pode nos levar a desenvolver câncer, problemas cardíacos e alterar algumas características genéticas do nosso bebê.

Mas não só a homocisteina pode fazer isso, como a obesidade, a hiperalimentação no período gestacional, a falta ou o excesso de nutrientes.

Com relação aos nutrientes, em 1927, pesquisadores do King´s College, da universidade de Londres, começaram a coletar dados sobre o teor dos nutrientes dos alimentos ( 27 variedades de vegetais, 17 de frutas, 10 cortes de carnes e alguns queijos e leites). Suas análises foram repetidas em intervalos regulares desde então, dando-nos uma imagem única de como a composição da nossa alimentação mudou ao longo do século passado: os alimentos perderam de 20 a 60% dos seus nutrientes.

Associa-se a isso o fato de que nossas escolhas alimentares não tem sido as melhores e bingo! Muitos de nós estamos desnutridos e isto pode fazer grande diferença no desenvolvimento do seu bebê.

Outro ponto crucial é a qualidade dos alimentos que ingerimos que podem estar contaminados com pesticidas, metais pesados como mercúrio, arsênio, chumbo, aluminio . Estas substâncias podem causar alterações na formação do bebê.

Nossa doutora, eu não sabia disto tudo.

 Eu te dou toda a razão, até bem pouco tempo atrás e ainda hoje, existe uma certa indiferença com a nutrição, mas eu te digo, ela é fundamental.

A cada dia que passa os dizeres de Hipócrates ganham mais força, principalmente com o avanço da nutrigenética. Dizia ele: Que seu remédio seja seu alimento e que seu alimento seja seu remédio. No período gestacional então...

No primeiro trimestre ocorre grandes modificações devido à intensa multiplicação celular. Seu bebê está em formação e ele depende muito do estado nutricional da mãe  para que isto ocorra bem, portanto, a mãe precisa ter uma boa reserva de vitaminas, minerais e oligoelementos, para suprir a suas necessidades e as do feto. A partir do segundo e do terceiro trimestre, começa o desenvolvimento e um bom suprimento nutricional também é importante neste momento.

Só para você poder visualizar melhor, estas são apenas algumas coisas que uma má nutrição podem fazer na sua gestação:

- Altera o armazenamento de gordura, podendo transformar seu bebê numa criança obesa.

- Reduz o metabolismo essencial para um bom desenvolvimento fetal.

- Restringe o crescimento fetal.

- Redistribui o fluxo sanguíneo e nutricional para órgãos nobres como  cérebro, coração e supra renal, prejudicando o desenvolvimento de  outros órgãos.

Quando temos um baixo aporte proteico , teremos :

- Diminuição da proliferação de células Beta pancreáticas, responsável pela produção de insulina.

- Redução permanente dos transportadores de glicose no músculo.

Como consequência teremos: aumento da glicemia , que irá aumentar o estimulo para a produção de insulina e exaustão das células beta pancreáticas, induzindo seu bebê a ser uma criança com sérios riscos para a obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica, doenças que deveriam aparecer apenas na idade adulta.

Você está acima do peso ou obesa, saiba que isso também é um fator de risco a mais para seu bebê pois você terá uma probabilidade maior para:

- 1,5 X maior de ter um parto prematuro.

- Diabetes gestacional que também aumenta a chance de ter uma criança com diabetes e obesidade na infância.

-  HAS e eclampsia.

- 1,4 x maior de ter uma má formação congênita ( tubo neural, cardíaca e onfalocele, que é a má formação da parede abdominal, resultando em órgãos digestivos para fora da cavidade abdominal).

- Morte fetal tardia.

Uma boa saúde nutricional, é uma boa forma de começar estes processos e diminuir os riscos de uma complicação neste período que é especial para todas as mulheres.


Dra Liliane Lemesin
CRM: 80189