Você sabe reconhecer o seu grau de Dependência ao uso de álcool?

Como vocês puderam ver na matéria anterior, os dados sobre o consumo de álcool é uma preocupação mundial, pois acarreta danos à saúde populacional, o que aumenta os gastos do governo nesta área.

Mas o consumo de álcool, acaba tomando uma relevância maior, porque além de prejudicar a saúde do usuário, acaba atingindo a população em geral, visto que o seu consumo leva ao absenteísmo e uma baixa produtividade no trabalho, déficit de aprendizado, maior número de acidentes e nestes incluímos também os acidentes automobilísticos, além de ser responsável por aumento na agressividade, afetando familiares e pessoas ao redor.

Ao álcool e ao uso de substâncias ilícitas também recaem aumento nos casos de homicídio e suicídio. Violência sexual, pode ser causa ou consequência do uso exagerado desta substância.

Bom como vimos, os estragos são reais e eles independem da frequência de uso. Mas porque isto acontece:

Quando bebemos, o álcool é rapidamente absorvido caindo na corrente sanguínea e atingindo o cérebro rapidamente. Logo de início e em pequenas doses, ele terá um efeito estimulante, causando sensação de euforia, desta forma a pessoa vai se sentir desinibida, mais social e falante experimentando uma sensação de prazer e alegria.

Conforme continuamos a ingerir álcool, num segundo momento passaremos da fase 1 (estimulante) para a fase 2 (depressora). Neste momento, iremos ter uma diminuição do quadro de ansiedade, mas também começaremos a diminuir nosso senso de autocritica, o que pode nos levar a condutas de risco ao operar máquinas, dirigir automóveis.

Nossa fala se torna pastosa, arrastada e vamos apresentando lentificação dos reflexos, desequilíbrio sensorial, diminuição do raciocínio e da concentração e agressividade. Começamos a apresentar sonolência.

Quando aumentamos mais a dose, este quadro depressor vai piorando e aí apresentamos visão borrada, prejuízo na memória e concentração, também conhecido como apagão ou black-uot. A nossa resposta aos estímulos vai piorando e podendo então vir vômitos, insuficiência respiratória, sono profundo, anestesia coma e morte.

Fica evidente que os sintomas descritos acima, se referem ao uso agudo do álcool e independe de como você se relaciona com ele.

Você pode ser um bebedor ocasional, ou seja, você consegue delimitar muito bem a situação em que vai beber, ficando tranquilo na fase de abstinência. Sendo um bebedor ocasional, você pode ser classificado como:

- Bebedor moderado;

- Bebedor pesado episódico, também denominado: BINGE DRINKING;

- Bebedor pesado ou dependente.

Nos dois primeiros tipos, a pessoa tem o controle de quando vai beber, além de não depender da bebida para ter prazer em festas, socializações, etc. Neste tipo você consegue outras formas de prazer como estar com amigos, ler,assistir televisão, ir ao cinema, praticar esportes, dançar....

Já no bebedor pesado ou no dependente, o repertório do prazer vai se extinguindo progressivamente, até que o álcool (ou outras drogas), se transformem em sua principal fonte de prazer. São pessoas que não conseguem imaginar uma festa sem álcool. Na realidade a festa deveria representar a oportunidade de encontrar amigos, usufruir de um ambiente agradável e o álcool ser apenas um detalhe a mais dentro desse contexto, mas para estas pessoas, o álcool é o único prazer. Elas podem até deixar de ir à festa para ficar bebendo com um grupo de companheiros e não concebem um final de semana sem estarem chapadas. Torna-se predominante esse tipo de padrão de consumo que busca o prazer poderoso e fácil que a substância produz, e perde a importância o prazer de usar o álcool dentro de certo ritual contemporâneo socialmente aceito.

Conforme o grau de dependência vem aumentando, o uso do álcool se torna uma necessidade constante na vida da pessoa, a ponto de que ela não consegue ficar um dia sem beber e quando isso acontece começa a sentir sinais de abstinência com temores, suores frios, irritabilidade, necessidade de beber ao acordar, beber escondido, mudança de emprego sem motivo aparente.

Bom, a diferença entre um consumidor periódico ou moderado para um pesado ou dependente ficou clara, espero. Agora vamos diferenciar o bebedor moderado do binge drinking.
 O bebedor moderado segundo a OMS (organização mundial de saúde) se enquadra no consumo de até duas doses de bebida alcoólica por dia para homens e uma dose para mulheres, mesmo que diariamente.

O bebedor pesado periódico se enquadra quando ocorre o consumo em uma única ocasião de 5 doses ou mais para homens e 4 doses ou mais para mulheres.
Uma dose de álcool corresponde à:

- 40 ml de pinga, whisk ou vodca;

- 85 ml e vinho do porto, vermute ou licor;

- 140 ml de vinho de mesa;

- 340 ml de cerveja ou chope o que equivale à uma latinha de cerveja ou uma caneca de chope.

Para você ser considerado um bebedor pesado, o consumo é igual ao binge drinking, porém neste caso, considera-se a regularidade do uso.

Uma outra forma de classificar o consumo do uso de álcool, está ligada a frequência, quantidade e consequência e pode ser uma forma interessante de dividir o bebedor pesado, sendo assim determinada:

- Uso de risco: ocorre quando o sujeito ao aumentar a quantidade e a frequência de consumo, aumenta também as chances de ocasionar algum dano físico ou mental para si ou para os que o rodeiam.

- Uso Nocivo: ocorre quando o sujeito não deixa de beber mesmo após o surgimento de inúmeros problemas (sociais, familiares, ocupacionais, legais e mesmo físicos), porém ainda sem apresentar dependência.

- Dependência: Ocorre em geral após anos de uso repetido, descontrolado, compulsivo de bebidas alcoólicas, e apesar da necessidade de quantidades cada vez maiores para obter o efeito esperado, o sujeito ainda tem certa tolerância ao uso de álcool. Nestes casos, a bebida torna-se prioridade na vida do indivíduo em relação aos demais compromissos assumidos, além de existirem sintomas de abstinência quando este diminui ou interrompe a ingestão de etílicos.

Com relação à predisposição ao desenvolvimento da dependência alcoólica, alguns fatores são  preditivos como:

- Alteração genética: pessoas que apresentam parentes alcoólatras tem uma maior predisposição ao alcoolismo.

- Distúrbios psicológicos: indivíduos que tem algumas características de personalidade podem apresentar um maior risco de desenvolver dependência. Assim, indivíduos que apresentam impulsividade, irritabilidade, ansiedade, timidez, depressão ou traços antissociais podem ter uma maior predisposição , isso não quer dizer que serão dependentes.

- Stress: como fator de alivio ao desamparo, conflito, medo, cobrança, vaidade, dor.

- Genero: mulheres tem uma maior tendência a se tornarem dependentes.

- Adolescentes.

Quanto aos adolescentes, os fatores que influenciam o início do uso de álcool precocemente se relacionam á:

- modelo familiar;

- curiosidade,

- pressão social,

-  marketing,

- ausência de politicas publicas.

Não podemos esquecer, como dito na matéria anterior que quanto mais jovem o início do uso de álcool, maior a predisposição ao vício, devido ao processo de desenvolvimento cerebral.

Bom, espero ter esgotado este assunto. Na próxima matéria irei falar dos danos causados pelo uso do álcool ao organismo e finalmente você entenderá que não se faz lifestyle medicine sem mexer neste tópico.

Até lá!

Dra Liliane Lemesin

CRM: 80 189