Agora sim : a dieta ideal!

Não dá para começar a falar sobre dieta e neste caso subentende-se reeducação alimentar sem falarmos um pouco de história e ciência, neste caso mais apropriado: genética!

Você se lembra de Darwin e sua teoria do evolucionismo?

Darwin, evolução? Pirou doutora? Eu só quero emagrecer e ganhar qualidade de vida, você deve estar pensando neste instante, não é mesmo?

Pois é caro leitor, mas não dá para fazer uma omelete sem quebrar os ovos, assim como não dá para falar sobre alimentação adequada, sem abordar este tema, simples assim....

Se lembrarmos da teoria da evolução de Darwin, veremos que para um organismo se adaptar a uma determinada mudança no seu estilo de vida, isto leva milhares de anos para acontecer. Lembra-se disto?

Com nós seres humanos, o processo não é diferente. Tudo que acontece no funcionamento do nosso organismo, ocorre porque somos programados geneticamente para fazermos. As adaptações, quando necessárias não ocorrem de um dia para o outro.

Tendo em mente isto, vamos voltar no tempo, no início da nossa evolução. Isso mesmo! Voltei lá para a época das cavernas para vermos como evoluímos desde então. Nesta época, nossos ancestrais, se alimentavam exclusivamente do que caçavam e do que colhiam e como não criavam animais e não plantavam, eles viviam períodos em que tinham fartura na mesa e períodos de extrema escassez. Com o passar do tempo, aprendemos a plantar, colher, estocar, em todo este período, éramos totalmente ativos.

A base da nossa dieta, era baseada em carboidratos complexos e simples na forma de frutas, verduras, legumes, raízes. Tínhamos também muita proteína vinda da caça, da pesca e gorduras boas que vinham das sementes e dos animais que comíamos. Lembre-se, nós caçávamos, portanto, a carne que comíamos também era magra.

A base desta dieta, seguiu muito parecida até a época da revolução industrial, que começou a partir de 1760. A partir daí nossa dieta sofreu mudanças extremamente radicais. Isto porque, até então, não tínhamos os refinados, como açúcar e farinha branca.

Como aprimoramos o modo de criar animais, industrializar alimentos, plantar, colher e armazenar nossos alimentos, não passamos mais por períodos de escassez de alimentos, isso na maioria dos lugares do mundo. A evolução trouxe também o sedentarismo.

Voi lá, está pronto o quadro que nos encontramos nos últimos tempos. Nossa dieta e nosso meio de vida mudou drasticamente em exatos 257 anos, e nós caros leitores não tivemos tempo ainda para nos adaptarmos com tamanha mudança, lembre-se de Darwin, neste momento.

Passamos a ter uma vida muito diferente em todos os sentidos, desde a revolução industrial: aumentou consideravelmente nosso nível de stress, estamos cada dia mais sedentários, envoltos em todos os tipos de contaminação e poluentes e principalmente, nossa alimentação mudou muito drasticamente.

Hoje somos viciados em açúcares, seja ele na forma de açúcar mesmo ou na forma de frutose (glucose de milho, melaço, xarope de milho, etc., ), além das massas, quantas vezes você não pensa, não mexa no meu pãozinho? Somos bombardeados por gorduras maléficas, como a gordura trans ou a gordura altamente saturada (bacon, creme de leite, carnes gordas, gordura vegetal, etc.). Diminuímos cada vez mais, nosso consumo de proteínas animais e quando o fazemos, na maioria das vezes o fazemos na forma de proteína processada (frios, linguiças, salsichas, hambúrgueres, nugtes, etc.).

Conclusão disto tudo, bagunçamos de vez nosso metabolismo e não estamos programados para fazê-lo,resultado é que deu “pau” no nosso software!

Estamos presenciando um aumento significativo de patologias metabólicas como diabetes tipo 2, dislipidemia, problemas cardíacos, demências senis, doenças degenerativas crônicas. Sim caro, leitor, tudo está amplamente relacionado ao nosso estilo de vida.

Neste exato momento, você deve estar confuso, tipo: mas estas doenças não apareceram porque estamos envelhecendo mais?

Respondo: Em partes sim, mas por outro lado elas aumentaram significativamente nas últimas décadas e quando analisamos o passado, vemos que nossos ancestrais tinham uma expectativa de vida muito curta, devido as doenças infecciosas e aos atrasos da medicina. Hoje vencemos estas batalhas. Mas não podemos esquecer, que também tínhamos uma parte da população que envelhecia e eles tinham uma boa qualidade de vida eapenas alguns poucos desenvolviam estas doenças degenerativas crônicas.

Para comprovar, estas teorias os pesquisadores, avaliaram populações de alguns povos que tem maior quantidade de centenários, locais estes, conhecidos na atualidade como Blue zones e nestes lugares também foi verificado que estes centenários, como nossos antigos centenários,  tem a mesma qualidade de vida e de velhice com pequeninos casos de doenças degenerativas crônicas.

Bom , o que estes indivíduos tem em comum: o mesmo estilo de vida! Uma alimentação saudável, natural, como a dos nossos ancestrais!

Bingo! Entendeu porque não dá para instituir uma dieta milagrosa para emagrecermos e ganharmos em qualidade de vida? Precisamos sim de reeducação alimentar, precisamos mudar hábitos! Precisamos retornar a nossa alimentação caseira  como a dos nossos avós e bisavós.

Sei que este processo é muito difícil, porque somos viciados em junk food, estamos altamente estressados, angustiados, ansiosos, não temos tempo e por aí afora.

Por isso, instituir uma dieta saudável, não dá para ser feita sem orientação Médica ou nutricional, porque ao seguir estas dietas da moda, você corre o risco de se desnutrir, além de muitas vezes ficar frustrado, enjoado, cansado. Além do que temos uma vida social e a alimentação tem para o ser humano uma conotação diferente do que os outros animais.

Os outros animais, comem apenas para saciar a fome. Para nós seres humanos, existe uma conotação muito grande de relacionamento e sociabilização.

Tudo isso tem que ser levado em conta, na hora de se instituir um novo plano alimentar na vida de uma pessoa.

Como disse anteriormente, começamos sempre individualmente, respeitando cada um. O final: vamos tentar chegar o mais parecido com o estilo de alimentação de nossos ancestrais, não tão distantes como os paleolíticos, mas, até uma pré-revolução industrial.

Respeitamos o final de semana, com períodos livres com moderação. Desta forma respeitamos o nosso metabolismo mas respeitamos também o nosso convívio social.

O final torna-se fácil e prazeroso!

Procure um profissional, que possa te orientar nesta mudança! A internet está cheia dietas e cheia de propostas, mas cuidado! Há muito leigo por aí e muita gente querendo dar um pitaco que pode acabar estragando sua vida!

Pense nisso!

Dra Liliane Lemesin

CRM: 80189