Controvérsias sobre hipotireoidismo

Como disse nos artigos anteriores a tireoide é uma glândula mestre que controla o metabolismo do nosso organismo e por este motivo sua importância. Quando por algum problema a sua produção hormonal começa a falhar e diminuir tem o que conhecemos como hipotireoidismo. Dentre todas as patologias que podem atingir a tireoide esta é sem dúvida nenhuma a que causa maior número de debates e discordância entre a classe médica.

Uma parte define e aceita como verdadeiro o fato de que o quê diagnostica hipotireoidismo é uma diminuição na produção de T3 e T4 juntamente com um aumento do hormônio estimulador da tireoide, o TSH. Outra parte, da qual eu me incluo acredita que deve-se levar em consideração também os sintomas já que hoje em dia alguns trabalhos sugerem medidas cada vez menores de TSH como preditivo de hipotireoidismo, outros trabalhos sugerem que você pode ter uma resistência ao receptor hormonal à nível celular e isto faria com que mesmo com taxas normais de T3 e T4 você não tivesse ação hormonal na célula e portanto sinais de hipotireoidismo. Os defensores desta tese defendem que altos índices de triglicérides podem entre aspas sujar os receptores hormonais celulares impedindo que os hormônios se liguem a estes receptores e, portanto não consigam atuar a nível celular.

Mecanismo semelhante de alteração ao receptor hormonal acontece no diabetes tipo 2 e em indivíduos obesos que apresentam neste caso uma dosagem alta de um hormônio denominado leptina; a leptina é um hormônio produzido pelo tecido adiposo que está relacionado ao aumento da saciedade. Indivíduos obesos produzem muita leptina, mas não possuem saciedade, hoje se descobriu que este fato se deve justamente a resistência do receptor celular.

Outra discordância sobre a tireoide é o fato de se há ou não a tireopausa. Uma das grandes discussões hoje em dia que vem ganhando força mundialmente é se envelhecemos por que nossos hormônios caem ou nossos hormônios caem por que envelhecemos? A cada dia que passa, mais certo parece que a partir dos quarenta anos começa acontecer uma diminuição na produção da maioria dos hormônios e que se controlada de maneira correta levaria a um envelhecimento mais saudável. Coincidência ou não, grande parte dos casos de hipotireoidismo acontecem em mulheres a partir dos quarenta anos.

Outro problema que pode levar a sintomas de hipotireoidismo é referente a carências alimentares e neste ponto diz-se iodo, mas principalmente selênio. O selênio é um metal traço que para nossa nutrição entra como um micronutriente. No caso da tireoide tem uma função especifica que é fazer parte da transformação de T4 em T3 agindo em conjunto com uma enzima denominada deiodinase. O zinco também faz parte desta conversão mas não tão essencial como o selênio. Com a baixa de selênio temos a transformação de T4 em T3 reverso, que é uma forma não ativa do hormônio; nestes casos ao se fazer as medidas de T3, T4 e TSH elas podem estar normais, pois para o cérebro se tem T3 reverso está tudo bem e por isso não há sinalização para aumentar a produção de TSH. Importante ressaltar que observamos uma carência no solo de selênio o que vem deixando nossos alimentos pobres neste mineral.

Por todos estes motivos, acredito que não podemos diagnosticar hipotireoidismo apenas por exames laboratoriais, por outro lado devo ressaltar que para começar qualquer tipo de reposição hormonal devemos fazer uma boa história do paciente, se calçar de todos os exames possíveis e descartar todos os diagnósticos diferenciais e só assim, com bom senso, acima de tudo começar o tratamento. No próximo artigo, vou falar sobre os sintomas de hipotireoidismo, diagnóstico e tratamento.

Dra Liliane Lemesin
CRM: 80189