Nutrigenômica: Como utilizar?

Como disse para vocês na matéria anterior a nutrigenômica é uma área novíssima da ciência que vem comprovar o que Hipócrates já falava há muito tempo atrás: FAÇA DO ALIMENTO SEU REMÉDIO.

Através de estudos feitos para melhorar a qualidade de alimentos de origem animal produzidos avançamos diretamente sobre uma área que promete num futuro provavelmente próximo otimizar e individualizar nutrientes visando o ganho em saúde e qualidade de vida. Isto é exatamente o que faz a nutrigenômica: adaptar a nutrição ao perfil genético individual otimizando a saúde e respeitando os processos fisiológicos normais. Desta forma a nutrigenômica tem postulado que:

1) Dentro de algumas circunstâncias e em alguns indivíduos a dieta pode ser um fator de risco sério para o desenvolvimento de certas patologias.

2) Componentes moleculares da dieta podem atuar no genoma humano tanto direta como indiretamente alterando a estrutura genética e sua expressão.

3) O grau em que a dieta influencia no equilíbrio entre saúde e enfermidade dependerá da estrutura genética de cada um.

4) Alguns gens regulados pela dieta são capazes de ter um papel importante no estabelecimento, incidência e progressão de doenças crônicas.

5) A intervenção nutricional baseada no reconhecimento dos requerimentos nutricionais, estado nutricional e genótipo ( informação genética que se expressa) pode ser utilizada para prevenir, postergar ou até mesmo curar doenças crônicas.

E como isto pode repercutir no nosso dia a dia? De diversas maneiras, cito alguns exemplos:

1) A deficiência de certos nutrientes como colina, metionina, ácido fólico, vitamina B6, B12 e B2 podem levar a alterações do metabolismo do carbono prejudicando o processo de metilação e podendo desencadear patologias crônicas como diversos tipos de câncer e doenças cardiovasculares.

2) Da mesma forma compostos bioativos da dieta como a curcumina, a genisteína, o resveratrol, o ácido ursólico, o licopeno, a silimarina, a capsaina, as catequinas, as isoflavonas, o 3-indol-carbinol, as saponinas, os fitoesterois, a luteína, a vitamina C, a Vitamina E, os betacarotenos, as fibras, o selênio agem como protetores para os diversos tipos de cânceres.

3) Ácidos graxos poliinsaturados como ômega 3 e ômega 6 estão diretamente ligados a diminuição de processos inflamatórios, além de modularem quadros de resistência insulínica e aumentarem os níveis de HDL (colesterol do bem).

Se levarmos então em conta os estudos na área da obesidade e de controle da síndrome metabólica a nutrigenômica vem avançando em passos largos e algumas descobertas podem ajudar muito no tratamento da obesidade, vejamos algumas delas:

1) Ácidos graxos poliinsaturados também conhecidos como PUFAS podem ativar o catabolismo hepático de ácidos graxos, diminuir a lipogenese hepática (estoque de gordura), e ativar a expressão de proteínas desacoplantes (responsáveis pelo aumento do gasto calórico), sendo neste quesito de especial interesse os isômeros do CLA. Também tem se descrito efeitos de ácidos graxos de cadeia média (ácido láurico encontrado em grande abundância no óleo de coco) aumentando a termogenese.

2) Substâncias conhecidas como isoprenoides, em particular as relacionadas com a vitamina A ativam a expressão das proteínas desacoplantes e favorecem a mobilização das gorduras em modelos animais ( diminuição da reserva lipídica).

3) A razão glicose/frutose e o índice glicêmico dos alimentos podem ser fatores de impacto sobre a insulina e regulação do peso corporal.

4) Diferentes estudos sugerem um efeito anti –obesidade provenientes do cálcio derivado da dieta.

5) Tem- se descrito efeitos específicos de alguns aminoácidos como triptofano, arginina e histidina no controle de peso corporal, assim como efeito de saciedade com outros tipos de aminoácidos como a fenilalanina.

Como podemos ver a nutrigenômica pode ser de grande valia no tratamento e prevenção de diversas patologias com grande importância no tratamento e controle da obesidade, mas vale ressaltar o seguinte ponto: vem ocorrendo um frenesi ao redor de determinados nutrientes como Ômega 3, CLA e óleo de coco. Todos estes óleos têm estudos científicos mostrando sua eficácia, mas podem funcionar como uma faca de dois gumes, pois são óleos e portanto ricos em calorias e para serem utilizados necessitam de uma grande quantidade por dia e se não tivermos um balanceamento correto de nutrientes e calorias ao invés de emagrecermos vamos engordar, então para que você possa desfrutar dos benefícios destes nutrientes uma dieta equilibrada e atividade física devem fazer parte do seu dia a dia.

Nunca se esqueça uma alimentação saudável e balanceada aliada a prática de atividade física regular é a chave para uma vida saudável e longeva!!

Dra Liliane Lemesin
CRM: 80189